sábado, 26 de setembro de 2015

26 de Outubro de 2013

"Separei-me no início do ano. Tomei a decisão de ficar em Andorra sozinha e procurar o meu caminho. Ainda aqui estou. Viva. Crescida. Mais madura que antes. Cometi muitos erros. Passei por coisas que não desejo a ninguém mas que serviram para aprender. E muito! Comecei o ano numa pensão sem condições. Dei conta do fútil que sou (ou era) quando vi as 50 mil malas cheias de roupa, sapatos, bolsas e bijutarias que nem sequer usava. Dei conta que sempre queria mais e nunca dava valor ao que tinha. Dei conta que sempre me queixei de tudo quando afinal tinha imensa coisa. Passei 2 meses a comer cereais com leite frio e comida enlatada pois não tinha cozinha na pensão e não tinha dinheiro para nada. Assumo como o “grande erro do ano” quando me rendi a um rapaz com muito bom coração mas que infelizmente me conheceu na pior fase da minha vida. Gostava dele, sim. Mas não estava preparada para um relacionamento. Tinha acabado de sair de um casamento e meti-me com uma pessoa quase desconhecida. Apaixonei-me perdidamente pela conexão que tínhamos. Não por ele. E ficará para sempre no meu coração mas assumo o erro. (Um dia destes peço lhe desculpa. Ainda não tive coragem.) No meio disto tudo envolvi me com quem não devia e criei problemas que poderiam perfeitamente ter sido evitados se eu outrora soubesse fechar as pernas… mas acredito que estava tão raivosa com a vida que não pensava no que fazia…
Conclusão do ano nº1: aprendi que não se pode decidir com cabeça quente nem confiar em toda a gente. Precisamos do nosso momento a sós especialmente quando saímos de uma relação longa. Precisamos do nosso tempo para assentar poeiras e aclarar ideias. Precisamos aprender a gerir as coisas com calma e não ser impulsivos. E acima de tudo aprendi que nada, mas nada vem apenas por bondade. Por muito que uma pessoa seja bondosa sempre há um pontinho de egoísmo no meio. Não há gente boa a 100%, apesar de eu, durante muito tempo pensar que sim. Nisso já aprendi. Da pior maneira talvez, mas aprendi.

Mudei de casa 4 vezes. Uma na pensão, outra numa casa que tinha tudo para dar errado; vivi um tempo na casa da mãe do namorado (na altura), outra casa nova que podia ser perfeita se eu quisesse ficar aqui para sempre e agora estou de mudança para a quinta casa em 10 meses porque, como é óbvio, não quero nem vou ficar aqui para sempre. Com estas mudanças fui descartando roupa, sapatos, bijutarias, coisas completamente desnecessárias mas que eu, consumista como era, tinha de ter de tudo. Hoje, que estou de mudança, tenho 2 malas com roupa (uma de verão e outra de inverno); uma mala pequena com sapatos e uma caixa pequena com coisas de decoração que mais tarde levarei para Portugal. Tenho 2 ou 3 caixas com coisas de cozinha guardadas pois não uso nada e apenas 1 caixa média para usar aqui em Andorra com o básico de cozinha. Tenho apenas uma bolsinha com produtos de higiene, o básico. E não tenho mais nada. (e ainda acho que tenho muita coisa!!) Conclusão do ano nº2: aprendi que consigo perfeitamente viver com o mínimo, com o básico e o necessário. Não preciso mais do que já tenho. Sou mulher, está claro que gosto de fazer uma comprinha ou outra, mas a menina compulsiva de outrora já não existe. Agora limito me a comprar apenas aquilo que me faz falta. E sinto me muito orgulhosa por isso. Aprendi mais uma vez, da pior maneira, que não devo nunca mais comprar moveis para uma possível casa. Porque não sou menina de poiso certo. Ando sempre de um lado para o outro e acredito que enquanto não me sentir a 100% num lugar e não estiver nesse mesmo lugar durante muito tempo (e falo de anos!), não poderei comprar nada. Alegra-me pensar que tenho a casa dos meus pais, que um dia será minha e aí sim, será o meu poiso certo. Sou filha única. Será minha. Por isso não comprarei nenhuma casa, nem moveis, nem nada! Já tenho um poiso fixo! E chega!

Há 5 meses que vivo sozinha. Que estou completamente sozinha. Refiro-me a sem namorado, sem marido, sem relacionamento. Sozinha. Confesso que é o tempo mais longo que estou assim. Sempre tive muitos namorados, uns atrás dos outros porque sempre abominei a solidão. Hoje em dia, adoro estar sozinha. Tudo bem que posso ter uns amigos especiais, mas nunca nada sério. Nada importante. Sou mulher, tenho as minhas necessidades e, como toda a gente sabe, adoro sexo. (não tenho tabus nestes temas e isto também já se sabe) Mas mesmo assim, aprendi a lidar comigo. Aceitei-me tal como sou. Conheci-me. É pouco tempo, podem dizer. Mas para mim, 5 meses sozinha é uma eternidade. Porque tenho ataques de pânico frequentes e já os controlo. E que, por sinal, quase desapareceram! Porque ninguém cozinha para mim e tive de aprender a gostar da cozinha senão passava fome. (E confesso que me dou muito bem nos meus pitéus a sós!) Tive de aprender a lidar comigo 24h. Como não tinha (nem tenho) dinheiro de sobra para sair, tive de aprender a fazer coisas sozinha em casa à noite. E então vi todos os filmes românticos que gosto e chorei sem ninguém ver, comi no sofá deixando as migalhas no chão e pensava “limpo depois”, dancei no tapete da sala com a musica (ao meu gosto) nas alturas, passava horas na janela a ver a lua, as estrelas, as luzes, as montanhas, tudo. A ouvir o rio. Aprendi a gostar do silêncio. Perdi o medo das portas abertas. Explico: sempre tinha de dormir de porta aberta para ver luz fora. Detesto o escuro. Entretanto com o meu querido (ainda) marido aprendi a dormir com porta fechada/encostada se tivesse uma luzinha de presença. (manias meus senhores, manias! O que ele aguentava, pobre!) Agora consigo dormir de porta aberta porque da minha janela durmo sempre com a luz de fora, de persiana aberta e muitas vezes com a luz da lua e até adormeço a olhar para ela! (será das coisas que mais vou sentir falta quando sair desta casa) Consigo estar na casa de banho com a porta aberta (antes até trancava a porta…mesmo vivendo sozinha…mesmo quando vivia com o marido.. mais manias!) Fui aprendendo a aceitar-me exatamente como eu sou. Sem pensar em agradar a ninguém. E foi assim que nestes “simples” 5 meses ganhei a minha própria personalidade. Porque sempre me adaptava aos outros e fui me perdendo. E, por fim, encontrei-me!
Conclusão do ano nº3: foi o ano que me conheci. Que me estou ainda a conhecer. O ano que aprendi a aceitar me tal como sou e isso fez com que conhecesse muita gente nova, que poderei agradar a uns e a outros não, mas sem nunca me preocupar com isso. Sou como sou e quem não gostar não me incomoda. (até agora o feedback é muito positivo) Todas as experiencias sozinha em casa serviram para saber os meus gostos sem pensar nos gostos dos outros. (dei conta que oiço musica de todo o género, dependendo do meu humor ou da actividade que estou a fazer e que sou uma devoradora de filmes de amor! Ah! E que nunca me canso de comer massa!) E com isto, estou preparada para mudar de casa, partilhar um pedacinho da minha vida com mais 2 pessoas (e meia eheheh porque há uma filhota amorosa) e aprender o que me falta… que é lidar com os outros.

Estas conclusões fazem parte de tudo o que aprendi este ano. Do muito que mudei como pessoa, como mulher. Do orgulhosa que estou por ser assim. Entrei um pouco em guerra com os meus pais infelizmente porque como aqui decido sozinha e faço tudo sozinha, torna-se complicado lidar com eles como antes. Esta decisão de mudar de casa foi um choque para eles. Porque tinham pensado vir cá passar o Natal comigo e que iriam ter a minha casa disponível o que tal não vai acontecer. Terão de ficar numa casa (com todas as condições maravilhosas e perfeitas para eles) mas que partilharei com outras duas pessoas que por sinal não conhecem e isso gerou conflito. Decidi sozinha. Não lhes pedi opinião porque primeiro de tudo foi a melhor opção do ano. Gosto delas, somos as 3 muito independentes e por isso acredito que nos daremos muito bem. E desta maneira poderemos poupar bastante dinheiro. E eles têm de entender. São as consequências de ter aprendido a lidar comigo. 

Estou mais independente, mais segura das minhas decisões e aguento com as consequências caso cometa algum erro. Aprendi a acreditar em mim. O futuro é incerto, mas a verdade é que se queremos muito uma coisa podemos lutar por ela até ao fim, custe o que custar! E é nessa base que confio. Nessa luta constante de atingir os meus objetivos. E acredito que seja o que for, vai ser um espetáculo!"

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