quarta-feira, 20 de abril de 2016

Ansiedades - parte II

Escrevo este post a partir do meu telemóvel e a palavra "ansiedade" vem acompanhada de "controlável". Ansiedade controlável.

Ri me sozinha.

Mais uma vez estou em fase de auto conhecimento. Não me apetece estar com ninguém a não ser comigo. Confesso que tenho sido uma pessoa com quem gosto de estar.

Nem sempre concordo comigo mas eu e o meu eu temos falado muito. E acho que estamos a chegar a algum entendimento.

Não me venham dizer que estar em solicitude é fácil. Não é.
Mas aos poucos vou gostando cada vez mais da minha companhia.

Fomos ver os Mão Morta à Casa da Música. Podia ter corrido muito mal mas correu mesmo muito bem.

Entrei lá e fui a correr à casa de banho. Primeira vez que lá entro e deixo lá um pouco de mim. O sistema nervoso já estava em alerta desde a entrada. E manteve se até ao fim do concerto.

Foi algo mágico. Digamos que não conhecia nada de Mão Morta. Nada mesmo. Sabia que era negro. Ousado. Escuro e obscuro.
Tal como os meus adentros.

Entrei em viagem interna com os Mão Morta. Viajei dentro de mim com eles.
Senti tanto como o Luxúria. Sofri tanto como ele.

Os meus sentimentos estavam à flor da pele. A ansiedade provoca me suores frios. Todo o meu adentro estava em alvoroço.

Foi poesia. Magia. Sei lá. Não consigo encontrar palavras para descrever.

Hoje senti toda a ansiedade de novo (levou ao post anterior em ansiedade na sua plenitude)

Luto com os meus adentros. Mas alegro me de não ter saído da sala durante o concerto. Nem ter saído do trabalho mesmo quando só me apetecia ar fresco.

Alegro me de estar a conseguir controlar me. Ansiedades controláveis.

Faz me lembrar o momento do deserto em Marrocos. Não consegui usufruir da estadia no meio do deserto. Porque a ansiedade apoderou se e foi mais forte.
E não aproveitei o momento. E até hoje sei que tenho de lá voltar.
Ficou mal acabado.

Sou manienta nesse aspecto. Preciso de voltar aos sítios onde errei. E fazer de novo. Acredito em novas oportunidades.
Há alturas que não é possível mas também sou manienta nisso e sei que tudo é possível. Basta querer.

Tem sido um caminho longo. E daqui a nada já estarei de caminho longo mesmo!
Nessa caminhada física com os meus adentros.

Vamos optar por ir até Finisterra. Quero que a minha meta seja o por-do-sol. E não uma catedral.
Afinal, é o Universo que me move.

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