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Tentaremos não nos esquecer

Dizem que estamos cada vez mais avançados. No entanto, tudo o que vemos hoje, será obsoleto no futuro. Somos o paleolítico do futuro. Mas não queremos aceitar isso.

Temos o exemplo dos telemóveis. O meu telemóvel é um Samsung S3. Já existe o 7!! Sendo assim em simples 4 anos (!) o meu telemóvel já está obsoleto. (Para mim não, mas para a tecnologia está mais que velho e desatualizado)

Outro exemplo são as redes sociais. Deixamos fotos no Facebook para daqui a uns tempos se lembrarem de nós.
Mas seremos esquecidos. Todos. Não há memorial que nos mantenha aqui. Lamento informar vos disto.

Mantemos a imagem como forma de não esquecimento mas no fundo sabemos que quando desaparecermos, não haverá imagem que nos recorde.

Não somos nada. Estamos aqui de passagem. 

E ainda assim somos maus uns para os outros e esquecemo nos que seremos esquecidos.

A.V.

O Homem e a máquina

Desde o Caminho que houve pequenas grandes alterações de consciência dentro de mim. Coisas que não consigo transpor em palavras ainda. Novos ideais e novas maneiras de ver o mundo.
Confesso que quando andei de carro depois do Caminho; o simples caminho de Santiago a Viana, deu para ver como avançamos com as tecnologias e como aquilo que se fazia antigamente em 15 dias, hoje se consegue fazer em hora e meia.
Estamos a mudar. A avançar e a deixar de dar valor ao tempo. Porque com a evolução estamos a adiantar o tempo.
Tudo é mais rápido. Agora até já há um protótipo de um veículo que anda a vácuo e atinge os 1200km/h.
Dentro de algum tempo estaremos na China em 15 minutos.
E eu ainda continuo com a teoria do teletransporte na minha cabeça. É a evolução que mais me intriga e talvez a que mais deseje ver enquanto ser vivo.
Diz se por aqui que "em breve" seremos máquinas. Seres humanos com o Google associado ao cérebro...
Já estivemos mais longe... sei disso.
Mas depois... numa noite destas...
Vi o Admirável Mundo Novo...
Óbvio que o filme é um clássico mas o que me encanta é o fim. (Não o vou contar; vejam vocês)
Com tanta e tanta evolução um dia destes vamos querer voltar às cavernas.
Eu já estou nessa fase. 

A.V.

O caminho começa à porta de casa.

Ora bem... toda esta ausência serviu para trabalhar muito e ganhar pouco; caminhar para preparar a grande caminhada e fazer/preparar a mochila e tudo para o caminho de 120km que começa.... amanhã.

Já estamos em Viana do Castelo. Viemos passar o sábado com os papás e com o cão (já não vinha a Viana há mais de um mês). Já fizemos as últimas compras para a viagem e amanhã será o dia 1.
Amanhã bem cedo vamos para Santiago de Compostela com os meus pais. Vão nos levar e aproveitar a viagem para revisitar Santiago que é um sítio bem lindo de visitar.

Será para nós (eu e o Miguel) o início. Começaremos a caminhada a partir da grande catedral.
Estou muito ansiosa pelo Caminho. Já tenho a mochila feita e não me parece pesada. Agora.
Óbvio que com kilometros em cima tudo vai pesar. Tudo vai doer.

Mal posso esperar. Mais novidades a partir de amanhã.
Boralá!

Vivendo.

Mais ansiedade.

Escrevo este post a partir do meu telemóvel e a palavra "ansiedade" vem acompanhada de "controlável". Ansiedade controlável. Ri-me sozinha.

Mais uma vez estou em fase de autoconhecimento. Não me apetece estar com ninguém a não ser comigo. Pelo menos, tenho sido uma pessoa com quem gosto de estar. Nem sempre concordo comigo mas eu e o meu eu temos falado muito. E acho que estamos a chegar a algum entendimento.

Não me venham dizer que estar em solicitude é fácil. Não é. Mas aos poucos vou gostando cada vez mais da minha companhia. Fui ver o concerto dos Mão Morta à Casa da Música. Podia ter corrido muito mal mas correu mesmo muito bem. Entrei lá e fui a correr à casa de banho. Pela primeira vez que lá entro, deixei logo um pouco de mim. O sistema nervoso já estava em alerta desde a entrada. E manteve se até ao fim do concerto.

Ainda assim, foi algo mágico. Digamos que não conhecia nada de Mão Morta. Nada mesmo. Sabia que era negro, ousado, escuro e obscuro. Tal como os meus adentros. Entrei em viagem interna com os Mão Morta. Viajei dentro de mim com eles. Senti tudo, como o Luxúria. Sofri tudo, tal como ele. Os meus sentimentos estavam à flor da pele. A ansiedade provoca-me suores frios. Todo o meu adentro estava em alvoroço.

O concerto foi poesia. Foi magia. Não consigo encontrar palavras para descrever. Hoje senti toda a ansiedade de novo. Luto infinitamente com os meus adentros. Mas alegro-me de não ter saído da sala durante o concerto. Nem ter saído do trabalho mesmo quando só me apetecia ar fresco. Alegro-me de estar a conseguir controlar me. Ansiedades controláveis.

Fez me lembrar o momento do deserto em Marrocos. Não consegui usufruir da estadia no meio do deserto. Porque a ansiedade apoderou se e foi mais forte. Não aproveitei o momento. E até hoje sei que tenho de lá voltar. Ficou mal acabado. Sou manienta nesse aspeto. Preciso de voltar aos sítios onde errei. E fazer de novo. Acredito em novas oportunidades.

Há alturas que não é possível mas, também sou manienta nisso, sei que tudo é possível. Basta querer.

O Caminho será feito até Finisterra. Quero que a minha meta seja o por-do-sol. E não uma catedral.
Afinal, é o Universo que me move.

Beijos.
A.V.

Ansiedades.

Tenho a ansiedade em mim.
Vi num filme que a ansiedade é "a vertigem da liberdade"...
O corpo grita e não deixa a mente falar.
O coração bate e não oiço mais nada a não ser o medo insuportável da morte.
E quero morrer.
E deixo que a morte venha.
Mas a puta não vem. E logo de seguida fico calma. E bocejo.
E depois vem o medo.
E eu deixo-o vir.
Sinto tudo. Sinto tanto.
Sou a ansiedade. Sou a morte.
E no fim não sou nada.

A.V.